A execução orçamentária do governo federal nos primeiros cinco meses de 2026 revela padrões que merecem atenção. Uma análise dos dados disponíveis no Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI) mostra que, enquanto algumas áreas registram execução acima da média histórica, outras acumulam atrasos que podem comprometer a entrega de serviços públicos no segundo semestre.

O Ministério da Saúde executou 42,3% do orçamento autorizado até maio, índice ligeiramente acima da média dos últimos cinco anos para o mesmo período (40,1%). O desempenho é puxado principalmente pelos gastos com o Programa Nacional de Imunizações e com a atenção básica, que registraram execução de 51% e 48%, respectivamente.

Já o Ministério da Educação apresenta um quadro mais heterogêneo. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), responsável por transferências para estados e municípios, executou apenas 31% do orçamento — abaixo da média histórica de 36%. A demora nas transferências do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) é um ponto de atenção: municípios de menor porte, que dependem mais dessas verbas, relatam dificuldades para manter a qualidade da merenda.

O Ministério da Infraestrutura, por sua vez, registra execução de 28% — um dos índices mais baixos entre as pastas com orçamento relevante. O atraso é atribuído a dificuldades na licitação de obras e a contingenciamentos realizados no início do ano para cumprir a meta fiscal. Projetos de rodovias e ferrovias no Centro-Oeste e no Norte do país são os mais afetados.

Uma análise mais granular dos dados revela que a execução varia significativamente entre as ações dentro de um mesmo ministério. No Ministério do Desenvolvimento Social, por exemplo, o Bolsa Família registra execução de 98% (o programa tem caráter obrigatório), enquanto programas de habitação e saneamento ficam abaixo de 25%.

Esses padrões não são novos. A concentração da execução orçamentária no segundo semestre é uma característica estrutural do orçamento federal brasileiro, resultado de um processo de planejamento que frequentemente subestima os prazos necessários para licitações e contratações. Mas o padrão tem custos reais: obras atrasadas, serviços interrompidos, municípios que não recebem as transferências no momento em que precisam.

A questão que fica é se o governo tem instrumentos para acelerar a execução sem comprometer a qualidade dos gastos. A resposta, com base nos dados históricos, é que a aceleração forçada no final do ano frequentemente resulta em contratações apressadas e obras mal executadas.